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A identificação do Ardipithecus ramidus, uma espécie de hominídeo que viveu há 4,4 milhões de anos na actual Etiópia e conhecido por “Ardi”, lidera a lista das dez principais descobertas do ano eleitas pela revista Science.
Os seus restos fossilizados precedem em mais de um milhão de anos os de “Lucy”, o mais antigo esqueleto parcial conhecido de um hominídeo e aproximam os investigadores do último antepassado comum a humanos e chimpanzés.

Os outros nove grandes avanços científicos do ano, segundo a Science, foram:

– Detecção de pulsars pelo Fermi: o telescópio espacial de raios-gama Fermi, da NASA, ajudou a identificar novos pulsars (estrelas de neutrões muito magnetizadas e de rotação rápida) e a compreender melhor a sua emissão única de raios-gama.

– Rapamicina: investigadores constataram que mexendo numa via essencial de sinalização podiam agir sobre a duração da vida de ratinhos, no primeiro resultado deste tipo obtido em mamíferos. A descoberta teve a particularidade notável de revelar que o tratamento só funciona quando os ratinhos atingem a meia-idade.

– Grafeno: numa série de progressos fulgurantes, cientistas de materiais testaram as propriedades do grafeno (camadas muito condutoras de átomos de carbono) e começaram a utilizar este material para fabricar sistemas electrónicos experimentais.

– Receptor de ácido abscísico (ABA) nas plantas: a resolução da estrutura no espaço de uma molécula crucial para ajudar as plantas a sobreviver às secas poderá ajudar os cientistas a conceber novos meios de protecção das plantas contra períodos prolongados de seca, o que poderá ajudar a melhorar os rendimentos agrícolas em todo o mundo e permitir a produção de biocarburantes em terrenos marginais.

– LCLS e SLAC: o SLAC National Accelerator Laboratory (o acelerador linear de partículas de Stanford) apresentou o primeiro laser de Raios-X do mundo, uma poderosa ferramenta de investigação capaz de captar imagens de reacções químicas em progresso, de alterar estruturas electrónicas dos materiais e fazer muitas outras experiências numa vasta gama de áreas científicas.

– Regresso da Terapia Genética: investigadores europeus e norte-americanos descobriram uma forma de combinar a terapia genética e a terapia celular com células estaminais do sangue para tratar a cegueira hereditária, uma doença genética mortal que afecta o cérebro.

– Monopolos: Físicos que trabalham com estranhos materiais cristalinos chamados “vidros de spin” realizaram uma proeza experimental ao criar ondulações magnéticas que reproduzem o comportamento previsto dos “monopolos magnéticos”, ou seja, partículas fundamentais com um único pólo magnético.

– LCROSS (Lunar CRater Observation and Sensing Satellite) encontrou água na Lua: em Outubro, sensores a bordo daquela sonda da NASA detectaram vapor de água e gelo em detritos de uma colisão de um segmento de um foguetão que os investigadores fizeram despenhar deliberadamente perto do pólo Sul da Lua.

– Reparação do Hubble: em Maio, uma última missão quase perfeita de reparação efectuada por astronautas da estação espacial permitiu conferir ao telescópio espacial Hubble uma melhor visão e prolongar a sua duração, com a obtenção das imagens mais espectaculares de sempre.

Numa antevisão de 2010, a revista aponta como “assuntos quentes a acompanhar” o metabolismo das células cancerosas, o Espectrómetro Alpha Magnetic (MAS), a sequenciação das doenças do exoma (pequena parte do genoma humano com influência nos fenótipos), a utilização de células estaminais pluripotentes no tratamento de doenças neuropsiquiátricas e o futuro dos voos tripulados no espaço.

Fonte: I Online


Uma equipa internacional de cientistas está a catalogar as espécies marinhas que vivem a grandes profundidades. A novidade é que já registaram mais de 23 mil espécies. Entre as mais estranhas encontra-se um ‘polvo’ de dois metros que recebeu o nome de ‘Dumbo’ por ter barbatanas em forma de orelha e uma minhoca que se alimenta de petróleo.

Uma minhoca que come petróleo e um octópode (parecido com um polvo) com dois metros de comprimento são duas das milhares de espécies, que vivem nas profundidades dos mares e oceanos, que acabam de ser descobertas por uma equipa de cientistas para o projecto “Censo da Vida Marinha” (CVM). Catalogadas por estes investigadores, a maioria era desconhecida até agora.

Os investigadores do CVM, projecto internacional que apresentará em 2010 a primeira lista da vida marinha, registaram 17 650 espécies a mais de 200 metros de profundidade e 5722 a mais de um quilómetro. Este é o local que os estudiosos definem com “zona de crepúsculo”, onde a ausência de luz impede o processo de fotossíntese e, por isso, a existência de uma flora activa.

Os cientistas expressaram a sua surpresa pela diversidade da vida nas profundidades abissais, onde se podem encontrar numerosos organismos vivos, já que muitas destas espécies chegam a viver a profundidades de até cinco quilómetros. Robert Carney, um dos responsáveis pelo projecto destacou que é “difícil de entender que haja tanta diversidade” no fundo dos mares e oceanos. “Apesar do solo dos fundos profundos parecer monótono e pobre em alimentos, existe lá a maior diversidade de espécies possível”, assinalou Carney, que relacionou o fenómeno com os numerosos recursos dos organismos para sobreviver num ambiente tão hostil.

Entre as criaturas mais estranhas encontradas, descobriu-se um octópode (animal de oito patas) com dois metros de comprimento, que vive a 1,5 quilómetros de profundidade nas águas do centro do oceano Atlântico. Foi baptizado como “Dumbo” devido às grandes barbatanas em forma de orelha que utiliza para se propulsionar. Os investigadores destacaram a existência de um verme marinho que foi surpreendido enquanto ingeria crude nas águas do Golfo do México. Quando foi capturado do fundo marinho pelo braço de um robô, o crude jorrava aos litros do verme. Também no Golfo do México, mas a 2,7 quilómetros de profundidade, os cientistas registaram em vídeo o momento em que uma larva transparente caminhava apoiando-se nos seus numerosos tentáculos.

Os responsáveis classificaram como “indescritível” a quantidade de espécies descobertas.

Fonte: DN