Carlos Pinto Coelho: Morreu o ‘senhor Acontece’

Posted: 16 de Dezembro de 2010 in [Noticias]
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Era para ser advogado, mas acabou preso a vida toda ao jornalismo. Começou no DN, inovou na passagem pela televisão. Gostava de dizer as palavras – as suas e as dos outros

Dizia ser um “homem sem pátria, sem terra, sem raiz”. Vivia o tempo, o momento. Um magazine cultural, que realizou e apresentou durante nove anos na RTP 2, mudou-lhe a identidade. Carlos Pinto Coelho deixou-nos ontem à noite. O coração traiu “o senhor Acontece”.

E morreu a exercer o ofício. Carlos Pinto Coelho encontrava-se, ontem a tarde, num quartel da GNR, onde ia entrevistar o general Almeida Bruno para o seu novo programa . A dada altura, sentiu-se mal: transportado para o hospital, onde ainda foi tentada reanimação, acabaria por falecer. Era o regresso do jornalista ao ecrã, num programa que estreou na semana passada, na RTP Memória, com uma entrevista ao pintor Nadir Afonso.

Homem da palavra. Ou das palavras, que gostava de as dizer pausadamente, como se tivesse medo de as ferir. Foi essa paixão da palavra, por certo, a razão do sucesso e da longevidade do magazine Acontece de Carlos Pinto Coelho. Pela primeira vez em Portugal, os livros, cultura em geral, tinham um programa diário perceptível por toda a gente.

Um governo do PSD suspendeu- o. O fim do formato, em 2003, provocou grande polémica. Nuno Morais Sarmento, então ministro da presidência, afirmou que saía mais barato pagar uma viagem à volta do Mundo a cada espectador do Acontece do que fazer o programa. O Executivo seguinte, socialista, também não deu importância ao programa, onde a lusofonia esteve sempre presente.

O fim do Acontece amargurou o homem que ia ser advogado e, a meio do jogo, optou pelo jornalismo. Amargurou-o sem, contudo, lhe roubar o sorriso. “Voltei a ter a vida que tinha, só que sem televisão. Ou seja, pude abraçar com mais vigor, com mais requinte, tudo aquilo que eu já era”, contou, em 2008, a Helena Teixeira, numa entrevista publicada no JN.

“Quando não triunfo, fico muito zangado”, disse na mesma entrevista. O gosto pela televisão não o abandonava. Como não surgiam convites, tentou ele próprio criar um canal televisivo. Com David Borges, liderou a candidatura para uma quinta licença de televisão. O projecto falhou.

Carlos Pinto Coelho – a quem Herman José “roubou” o estilo para um a personagem do Tal Canal – nasceu em Lisboa em 1944 e viveu em Moçambique, até 1963. Ingressou no jornalismo como repórter do Diário de Notícias, em 1968. Na RTP, onde entrou em 1977, foi chefe de redacção e director de programas. Fim de Semana, ou Em Português nos Entendemos são alguns dos formatos da sua autoria e que também apresentou.

Além das palavras, havia uma outra paixão. A fotografia, o prender o momento em várias geografias do mundo. Fez diversas exposições em Portugal e no estrangeiro, publicou três livros. “Eu não sei onde está o meu coração. O coração está onde estou naquele momento”.

Fonte: Diário de Notícias

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