Feridas à espreita

Posted: 20 de Agosto de 2010 in Uncategorized
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Feridas acontecem a qualquer pessoa, em qualquer altura do ano. Mas no Verão o maior tempo passado ao ar livre é mais propício a acidentes. O importante é saber como cuidar da pele para que ela cicatrize. De preferência, sem deixar marcas.

Em férias ou não, o Verão é a altura do ano em que se passa mais tempo ao ar livre. A temperatura a isso convida. O corpo está mais exposto, vestido dos trajes leves com que se enfrenta o calor. São duas condições que aumentam a probabilidade de um qualquer acidente, por insignificante que seja, deixar marcas da pele.

Uma queda, um braço ou uma perna que raspa numa superfície áspera, uma faca que escorrega para o dedo quando se prepara a carne para o churrasco, uma fagulha que se escapa do lume e queima a pele mais próxima, um prego que sobrou das últimas obras e se pisa sem querer, uma mordidela de cão ou uma arranhadela de gato… São muitas as oportunidades para uma ferida, possíveis de acontecer durante todo o ano mas mais prováveis na estação que agora se atravessa. Feridas há muitas, mas todas têm em comum o facto de constituírem uma lesão cutânea.

Algumas, porém, são limitadas à camada mais superficial da pele, a epiderme, enquanto outras implicam danos mais profundos, podendo envolver músculos, tendões, nervos e vasos sanguíneos, ossos ou até órgãos internos. Com excepção das chamadas “feridas fechadas”, em que a epiderme permanece intacta, o normal é que haja uma ruptura da pele. As mais superficiais são as feridas por abrasão, designação que abrange arranhões e esfoladelas.

São geralmente causadas pela fricção da pele sobre uma superfície abrasiva (rugosa, áspera), daí resultando uma escoriação acompanhada de uma ligeira e temporária hemorragia.

Já as lacerações e cortes, não se ficam pela superfície, atravessando as várias camadas da pele e podendo atingir o tecido subcutâneo ou os tecidos mais profundos. Quase sempre ocorre hemorragia, moderada a severa.

Frequentes são também as feridas por picada – lesões na pele causadas por objectos pontiagudos como um alfinete ou um prego ou até a ponta de uma faca. Destas picadas resulta uma ferida discreta, com hemorragia visível mínima ou até ausente. No entanto, atendendo ao formato do objecto que provoca a ferida, pode haver lesões profundas com envolvimento de tendões e nervos.

Qualquer um destes tipos de ferida se pode conjugar numa mordedura, humana ou animal. Seja qual for a origem, estas lesões constituem sempre um potencial foco de infecção na medida em que há transferência de saliva para a pele. Podem ou não causar hemorragia, mas requerem cuidados particulares.

Reacção rápida

A cada tipo de ferida correspondem cuidados particulares, mas todas elas beneficiam de actuação imediata, de modo a minimizar o risco de infecção e a acelerar o processo de cicatrização.

Especificidades à parte, há cuidados básicos a ministrar para que as feridas não deixem marcas e, sobretudo, para que não haja complicações.

O primeiro deles passa por deitar ou sentar a pessoa acidentada, procurando imobilizar ao máximo a parte do corpo lesionada.

Mas quem vai prestar os cuidados deve assegurar-se de que não toca na ferida: usar luvas é o melhor, mas, na impossibilidade, há que lavar e desinfectar as mãos. Este é um gesto que protege ambas as pessoas, dado que o contacto pele a pele é um veículo privilegiado de transmissão de microorganismos.

Qualquer ferida, por ligeira que seja, necessita de ser limpa, de preferência com soro fisiológico.

Mas, na sua ausência, a água corrente é suficiente: deve verificar-se se todos os detritos se libertam da pele, mas sem esfregar ou tentar removê-los. Se permanecerem corpos estranhos na ferida há que recorrer à intervenção de um profissional (num centro de saúde ou de enfermagem, por exemplo).

Se houver hemorragia, é preciso estancá-la, não sem que antes se deixe sangrar um pouco (aliás, assim acontecerá mal a ferida seja colocada debaixo de água): é que a hemorragia é um bom ajudante de limpeza, já que o sangue arrasta consigo eventuais impurezas.

Pode acontecer que a hemorragia persista, sendo então necessário adoptar outra estratégia: cobrir a ferida com uma compressa e exercer uma ligeira pressão, por uns dez minutos, costuma ser eficaz. Convém é não espreitar, pois de cada vez que a compressa é levantada o sangue volta a correr, atrasando o processo.

Limpa e sem vestígios de sangue, a ferida está pronta para ser desinfectada. Para tal, deve usar-se uma solução dérmica própria.

Finalmente, há que protegê-la com um penso adequado, sempre que haja risco de fricção com roupa ou de se sujar. Este é um cuidado essencial: é que o penso desempenha múltiplas funções, todas elas importantes para uma cicatrização adequada – absorve os fluidos da ferida, impedindo que contactem com a pele saudável; protege-a do ambiente, nomeadamente de bactérias; mantém a ferida hidratada. Além de que – esta não é uma questão menor – resguarda a ferida de olhares alheios, evitando o embaraço de a expor durante os contactos sociais.

Cicatrizar sem marcas

Cuidar de uma ferida, rapidamente e da forma adequada, é fundamental para promover a cicatrização e para que não fiquem marcas.

Aliás, mal ocorre a lesão, são desencadeados os mecanismos fisiológicos que caracterizam a cicatrização: os diferentes tipos de células conjugam-se para restabelecer a integridade do tecido.

Este é um processo que decorre por fases, a primeira das quais – a hemostase – acontece imediatamente após a lesão, correspondendo à entrada em acção das plaquetas, células sanguíneas especializadas que dão origem a um coágulo, uma espécie de rolha para travar a hemorragia.

Quase em simultâneo, começa a fase inflamatória: os glóbulos brancos asseguram a limpeza das partículas alojadas no tecido danificado, ao mesmo tempo que se verifica uma proliferação de pequenos vasos sanguíneos, os capilares, responsáveis pelo afluxo de sangue à ferida. Surge então o edema (inchaço) e a região externa da ferida ganha um tom rosado ou avermelhado.

Enquanto isso, a região mais superficial da ferida vai sendo coberta por novas células – as epiteliais – que ajudam a fechá-la e a impermeabilizá-la. É também nesta fase que aumenta a produção de colagénio, substância responsável pela força e resistência da pele.

Os vasos sanguíneos tornam-se menos densos e a lesão começa a empalidecer.

Finalmente, as fibras de colagénio amadurecem e o tecido é remodelado, recuperando praticamente as características anteriores à lesão. Se este processo tiver decorrido sem sobressaltos, o mais provável é que fique apenas um sinal discreto que, com o tempo, se vai desvanecendo.

Nem sempre, porém, tudo corre como desejado. Há situações em que a ferida requer a intervenção de um profissional de saúde dado o risco de complicações. Desde logo se a lesão for muito profunda e/ou extensa, se a hemorragia não cessar ou se recomeçar, se permanecem detritos na ferida apesar das tentativas para a limpar e ainda se libertar pus.

A infecção atrasa, naturalmente, a cicatrização. Mas há outros factores que podem dificultá-la. A idade é um deles, sabendo-se que, devido às alterações fisiológicas próprias do envelhecimento, há uma diminuição da elasticidade da pele e da produção de colagénio, bem como um declínio do sistema imunitário. Além disso, os idosos podem sofrer de doenças crónicas que afectem a circulação, resultando numa menor oxigenação da ferida e numa cicatrização mais demorada, tal como acontece na diabetes em que a cicatrização é dificultada.

Os estados de desidratação e desnutrição também interferem com a renovação do tecido cutâneo, pelo que se torna importante, quando há uma ferida, manter uma alimentação equilibrada. Todos os nutrientes são necessários: as proteínas são necessárias para a produção de colagénio, os sais minerais fortalecem o sistema imunitário, as vitaminas estimulam a formação de células, os hidratos de carbono e as gorduras fornecem energia.

As feridas acontecem quando menos se espera. Numa actividade profissional ou num momento de lazer. É preciso é agir a tempo, para evitar o risco de uma infecção e garantir que, como se verifica na maioria das vezes, cicatrizem sem deixar vestígios.

Um risco chamado tétano

Independentemente do que esteve na origem da ferida, há um cuidado adicional a não descurar: verificar se a vacina do tétano está em dia. Não é contagioso, mas é grave: trata-se de uma infecção causada por uma bactéria que se encontra nas fezes de animais ou pessoas depositadas na areia ou terra e que entra no organismo precisamente através de lesões na pele, produzindo uma toxina que actua em diferentes áreas do sistema nervoso.

Espasmos musculares e rigidez progressiva, que dificultam a respiração e colocam em risco de vida, são as manifestações de uma doença que se previne através da vacinação.

A profilaxia contra o tétano faz parte do Plano Nacional de Vacinação, integrada numa vacina que oferece também protecção contra a difteria e a tosse convulsa.

São tomadas cinco doses iniciais, a primeira das quais aos dois meses de vida e a última pelos cinco, seis anos, coincidindo com a entrada na escola básica. As restantes são ministradas aos 4, 6 e 18 meses. Um primeiro reforço deve ser tomado entre os 10 e os 13 anos, após o que a revacinação deve ocorrer a cada dez anos. Adultos que não tenham sido vacinados podem, e devem, sê-lo a qualquer altura da vida.

Fonte: Médicos de Portugal

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