Arquivo de Fevereiro, 2010

Por Inês Bernardo
Maria Velho da Costa é a grande vencedora do Prémio Literário Casino da Póvoa. Após três horas de deliberação, a maioria dos elementos do júri decidiu premiar a autora de Myra.

Myra foi a obra distinguida com o Prémio Literário Casino da Póvoa.

A obra de Maria Velho da Costa tinha como concorrentes A Eternidade e o desejo (de Inês Pedrosa), A não esquerda de Deus (Pedro Almeida Vieira), A Sala Magenta (Mário de Carvalho), O apocalipse dos trabalhadores (de valter hugo mãe), O Cónego (A. M. Pires Cabral), O Mundo (Juan José Millás), O verão selvagem dos teus olhos (Ana Teresa Pereira), Rokushisho (Adriana Lisboa) e Três Lindas Cubanas (Gonzalo Celorio).

Do júri faziam parte Carlos Vaz Marques (que anunciou o prémio), Dulce Maria Cardoso, Fernando J.B. Martinho, Patrícia Reis e Vergílio Alberto Vieira.

Foram também anunciados os prémios Prémio Literário Correntes d’ Escritas/Papelaria Locus (que premeia autores entre os 15 e os 18 anos), sendo vencedor Miguel Rocha de Pinho, de 18 anos. O jovem de Santa Maria da Feira apresentou a concurso o conto A história do velho entristecido com a vida.

No Prémio Conto Infantil Ilustrado Correntes d’Escritas/Porto Editora, os vencedores foram os alunos do 4.º ano do Jardim-Escola João de Deus de Agra (Salreu, Estarreja), com A Casa Misteriosa. Contou-me o meu avô, (4.º ano da Escola EB 1 de Ferreiros, Baguim do Monte, Gondomar) foi o segundo classificado, e João Ratinho à procura de casa (pelo 4.º ano, TO2 da Escola EB1 Monte, de Touguinhó, Vila do Conde) foi o terceiro nesta categoria.

A edição deste ano do Correntes d’escritas lançou ainda a nona edição da revista Correntes d’Escritas, dedicada este ano a Agustina Bessa-Luis.

Fonte: Sol


Felícia Cabrita, jornalista do SOL responsável pelas notícias relacionadas com o caso Face Oculta, acusou o Partido Socialista de estar a fazer um ataque ao jornal onde trabalha e questionou também a decisão do Procurador Geral da República de não abrir um inquérito com as escutas ao primeiro-ministro.

A jornalista, que está a ser ouvida pela Comissão parlamentar de Ética, Solidariedade e Cultura sequência de um requerimento do PSD, entregou também aos deputados fotografias dos accionistas do semanário SOL para esclarecer dúvidas que têm sido levantadas sobre quem são os donos do jornal e «mostrar transparência».

«São pessoas que não se escondem», disse a jornalista enquanto eram entregues aos deputados da Comissão de Ética, Sociedade e Cultura da Assembleia da República.

Felícia Cabrita esclareceu que os accionistas do SOL são o empresário Joaquim Coimbra e dois empresários africanos.

«São empresários angolanos que nos libertaram da intenção do PS de liquidar financeiramente o nosso jornal», afirmou.

Na quinta feira, o ex-deputado Arons de Carvalho, quando ouvido na mesma comissão parlamentar, afirmou desconhecer quem são os proprietários do Sol e defendeu que «em nome da transparência seria importante saber».

Felícia Cabrita foi a quinta pessoa a ser ouvida pela Comissão parlamentar de Ética, Solidariedade e Cultura sequência de um requerimento do PSD, aprovado com os votos favoráveis de toda a oposição, para ouvir 25 pessoas, às quais foi acrescentada mais uma audição, do ministro dos Assuntos Parlamentares, proposta pelo CDS-PP.

Hoje será também ouvido o ex-administrador do BCP Armando Vara.

A lista de audições foi elaborada depois de várias acusações ao Governo por alegadas interferências na comunicação social.

Lusa/SOL

O candidato a Presidente da República Manuel Alegre criticou hoje, em Coimbra, a «promiscuidade» entre a justiça, a política e a comunicação social e afirmou que Portugal precisa de repor «rapidamente» a normalidade democrática.

Falando num jantar para cerca de meio milhar de apoiantes, o histórico dirigente socialista disse que há «que repor rapidamente a normalidade democrática, a cooperação institucional, o primado do interesse nacional sobre o excesso de tacticismo, de cálculo e de intriga política».

«A nossa República padece de excesso de tacticismo. Não é um bom exemplo, nem uma forma sã de liderança», referiu Alegre, dizendo que há cargos que «não podem ser um refúgio de silêncios pendentes, nem de cálculo pessoal».

Para o escritor e poeta de Coimbra, os portugueses não compreendem que, passados menos de quatro meses sobre a realização de eleições, «se esteja a viver uma crise política, que é sobretudo de credibilidade e confiança, em vez de se procurar resolver as dificuldades que enfrentam no dia-a-dia: o desemprego, as falências, a precariedade, a falta de meios para pagar a casa, a escola e a alimentação dos filhos».

Manuel Alegre manifestou-se contra aquilo que considera ser, actualmente, a «promiscuidade entre a justiça, a política e a comunicação social», considerando que quando a justiça não funciona «cai-se no justicialismo», que substitui os tribunais na praça pública.

«Não há segredo de justiça quando a justiça não funciona ou quando alguns dos agentes fundamentais do sistema judicial se convencem de que a justiça não funciona e decidem passar, eles próprios, à acção, arvorados em justiceiros», salientou.

Numa intervenção em que enviou diversas mensagens políticas, o candidato a Presidente da República criticou também aqueles que dizem não existir liberdade de imprensa em Portugal.

«Há liberdade, felizmente há liberdade. É uma conquista que deve ser protegida, consolidada e acarinhada, com abertura, tolerância, respeito pela diferença e intransigência perante qualquer tentativa de abuso, condicionamento ou controlo da comunicação social», frisou.

No entanto, ressalvou, «a liberdade de informar não pode ser sinónimo de devassa». «A lealdade de qualquer jornalista que se preze deve ser para com a verdade dos factos», acrescentou.

O ex-deputado socialista defendeu ainda uma nova economia, «voltada para as pessoas», em contraponto àquela «que fecha todos os dias fábricas e empresas, que estimula o consumismo desenfreado e que provoca cada dia novos sobre-endividados».

Sem nunca citar nomes, Manuel Alegre criticou ainda aqueles que estão mais empenhados em «patrocinar candidatos contra a minha candidatura do que em derrotar o candidato da direita».

«O ressentimento nunca foi um motor para a vitória», disparou o candidato, que acredita na vitória, mas «não com base na desunião ou numa falsa unidade de propósitos».

«É tempo de saber quem quer unir e quem quer dividir. É tempo de saber quem quer ganhar e quem quer apenas ajustar contas e atrapalhar», afirmou Manuel Alegre, arrancando uma ruidosa salva de palmas.

Lusa / SOL