Arquivo de Novembro, 2009


Uma rapariga de 16 anos que posou nua para uma revista de surf australiana está a ser vítima de “bullying” por parte dos seus colegas da escola, segundo uma acusação feita pela agência de modelos que representa a adolescente.
Ella Rose Corby, a jovem australiana que figurou na controversa capa da revista Stab Magazine, participou num concurso de modelos organizado pela própria revista. O prémio era posar nua para a revista e ser representada pela agência de modelos Chic Management.
No entanto, as fotos são demasiado ousadas e têm sido criticadas pela opinião pública. Os prórios pais de Ella Rose mostraram-se chocados quando viram a publicação. O pior de tudo, é que as colegas de escola de Ella estão a troçar com ela, o que a está a afectar psicologicamente, mas a agência que a representa diz que Ella também já foi agredida fisicamente.

A justiça está refém de grupos profissionais e os portugueses sem esperança. António Barreto em entrevista

Entrevista a 01 de Março de 2009

Dedica hoje o melhor de si mesmo à Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), cujo grande objectivo é “pensar, estudar e contribuir para o melhor conhecimento da realidade portuguesa”, como se lê na sua carta de princípios. Mas não é de agora que António Barreto, 67 anos, gosta de números, factos, dados. À excelência com que tem vindo a desenvolver e profissionalizar esse gosto não foi certamente alheio o convite de Alexandre Soares dos Santos para presidir ao conselho de administração da FFMS. Foi nessa pele que, com sedutora fluidez e um grande conhecimento de causa, este ex-ministro, ex-deputado e ex-dirigente partidário viajou comigo pelo país. Os resultados são ácidos, a radiografia má, embora – surpreendentemente? – não concorde que o país esteja doente: “O nosso problema não é doença nem asfixia, mas sim dependência, o que é muito mais grave”. Com brilho, sabedoria e substância, explica porquê.

António Barreto, está a tempo e alma inteira na fundação que dirige?

A tempo inteiro. Estamos na fase inicial e a fazer coisas tão prosaicas como estatutos, legalização, escrituras notariais, etc. Um trabalho que me leva o dia inteiro, incluindo fins-de-semana e noites. É necessário pensar, criar os primeiros textos, delinear projectos, estudos, programas de trabalho a médio e longo prazo, procurar as pessoas que os possam levar a cabo…

Com que objectivo prioritário? Dotar o país de instrumentos para que ele se conheça melhor a si próprio?

A nossa prioridade é dar informação e instrumentos de conhecimento aos cidadãos. Aquilo que transmite informação faz homens e mulheres livres. E uma das lacunas de Portugal – por falta de hábito, de experiência, de cultura – é não ter cidadãos livres, informados, capazes de participarem de modo independente na vida pública.

Dirige uma fundação que não só é totalmente portuguesa como é a primeira a visar exclusivamente esses objectivos…

Fazer estudos sobre a realidade nacional, torná-los públicos e organizar projectos à roda deles, sim, é caso único português. Os think thank que conheço são organizações para pensar, promover e publicitar ideias, mas são organizações programáticas, têm um programa político. Como nos Estados Unidos, onde grande parte destas fundações servem para organizar a discussão pública promovendo as ideias dos partidos republicano e democrático. Portugal é uma sociedade diferente e nem foi essa a vontade do fundador nem a minha. Não somos um think thank, na medida em que não temos um programa político. Temos uma carta de princípios.

E têm o conselho científico e o de curadores. Actuam em nome de quê?

A carta foi aprovada pelos conselheiros e define justamente alguns princípios. Além dos princípios gerais da liberdade e da igualdade de oportunidades visa-se o reforço dos direitos dos cidadãos, para um maior conhecimento por parte deles, uma opinião mais participada e independente, para a melhoria das instituições públicas. Eis o que define uma missão e uma causa e não um programa político. É-me totalmente indiferente se houver colaboradores um bocadinho à esquerda ou um bocadinho à direita…

O que pode já anunciar?

Até à Primavera de 2010, creio poder ter já concretizados dois projectos a que chamamos, em linguagem interna, “permanentes” – durarão sempre. O primeiro – e digo-lhe o nome em primeira mão – chama-se Pordata, nome já registado, que serve para o mundo inteiro e para a net, sem acentos circunflexos, nem til, nem cedilhas… Por baixo há um subtítulo, “Base de Dados Portugal Contemporâneo”: é a tentativa de agregar, organizar e homogeneizar os dados existentes sobre Portugal desde 1960 até hoje, em todos os domínios: demográfico, sanitário, educativo, populacional, emprego, desemprego, salários, vencimentos, justiça, cultura… Houve rupturas estatísticas nos últimos 20, 30 ou 40 anos que fazem com que muitas delas sejam deficientes e exista um enorme défice de informação pública. Não podemos obviamente produzir estatísticas – só as instituições oficiais o podem fazer -, mas estamos a coligi-las com uma fantástica colaboração do Instituto Nacional de Estatística – principal fonte de estudo – e ainda do Banco de Portugal, dos organismos da saúde e da educação, com as ordens, por exemplo, que têm dados interessantes sobre as profissões. Harmonizaremos depois tudo isto de modo a estar disponível para todos. É de graça e será feito de modo tão moderno quanto possível, como as melhores coisas que se fazem no mundo!

Mais?

A segunda iniciativa é uma espécie de contraponto desta. Os números – tenho uma grande atracção pessoal por eles – têm uma grande vantagem: sugerem factos. E não há boas opiniões sem bons factos por trás. Em paralelo vamos lançar – talvez na Primavera de 2010 – uma colecção de ensaios, no verdadeiro sentido da palavra. Contactámos dezenas de pessoas, algumas delas têm prazos já marcados. E todas vão ser surpresas.

Quais os temas?

Os que são relevantes na vida nacional: saúde, envelhecimento da população, natalidade, mortalidade infantil. Mas também a propriedade, o ensino do Português, a corrupção, a organização de certos aspectos da justiça processual. A ideia é organizarmos 10 ou 12 por ano com 60 a 100 páginas, no máximo. Não produzirão factos ou estatísticas, não terão uma linguagem hermética. Queremos que sejam acessíveis a todos, para que todos fiquem informados. Não ambiciono concorrer com as telenovelas ou o futebol, mas muitas das pessoas que vêem telenovelas ou futebol poderão estar interessadas em lê-los. Aliás, os termos de referência com os autores são sempre os mesmos: não se trata de um livro de um jurista para juristas, de um economista para economistas. Destinam-se a especular sobre ideias, e por isso lhe disse que eram o contraponto dos factos. Quero discutir como se nasce e morre em Portugal, discutir os pobres e os ricos, a liberdade das empresas, a dependência do Estado. Quero uma opinião fundamentada e uma discussão informada.

É como se estivesse debruçado sobre a sociedade portuguesa. Como é a nossa sociedade?

É muito antiga, o que deixa marcas e faz dela uma sociedade complexa. E preocupada com a sua memória. Eduardo Lourenço diz que os portugueses sofrem por ter identidade a mais e eu concordo. Habituámo-nos a viver da memória, o que cria frustração. É também uma sociedade que vive obnubilada, obcecada com o seu atraso. A ideia de que há um problema de subdesenvolvimento e sociedades que se desenvolvem menos que as outras deve ter começado cá há 200 ou 250 anos! Havia a memória da grandeza, mas quando a seguir vem a pobreza ou o atraso é pior, funciona como mito. E há a ideia da periferia. Ainda hoje os portugueses pensam que não estão no centro do mundo e das coisas. Há uma invenção de que Portugal estava no centro do Atlântico e fazia a charneira, mas não é a mesma coisa que estar no centro. É o facto de estar num canto da Europa não sendo bem Europa, não sendo bem África, não sendo bem Mediterrâneo, não sendo bem Atlântico. Os portugueses há 500 anos que vão para qualquer sítio, para a emigração, para África, para as conquistas, para o Oriente, para o Brasil ou para o Atlântico… e agora não sabem para onde ir. Não podem ir para a Europa porque já lá estão. Há quem diga que Angola é novamente uma oportunidade. É uma relação interessante, mas é preciso reconstruir, sarar feridas, fechar cicatrizes. Não faço a mínima ideia se vamos conseguir e se os angolanos vão conseguir…

Mas houve mudanças e aberturas…

Sim, décadas de abertura com a emigração, a televisão, o turismo e, depois do 25 de Abril, as liberdades, as viagens, a integração europeia, a adesão, a liberdade do comércio. Os portugueses ficaram a conhecer o que há de melhor no mundo e portanto a ambicionar o que há de melhor no mundo. As pessoas querem ter o sistema médico sueco, o escolar dos noruegueses, as estradas dos alemães, os automóveis dos ingleses. Ambicionar uma coisa medíocre é em si mesmo um sinal de mediocridade. Os portugueses querem o máximo, simplesmente não são capazes de fazer o máximo: não têm organização, nem capital, nem empresas, nem experiência, nem treino.

E porquê, justamente?

Porque já estamos atrasados há 250 anos, porque perdemos 15 ou 20 anos com a guerra colonial, com uma ditadura que durou, durou, com uma Revolução que fez disparates, disparates. Tivemos de revolucionar e fazer a contra-revolução, nacionalizámos e privatizámos. Foi uma perda de tempo, de recursos, de energia e abriu feridas. Ainda hoje noto que Portugal tem uma maneira de fazer política mais crispada que muitos países da Europa. O primeiro-ministro, o chefe da oposição, os partidos da oposição falam uns com os outros no Parlamento aos gritos, evocando problemas de honra, evocando a mentira, a coragem, a vigarice. Nos debates parlamentares de Madrid, de Paris, dos Estados Unidos, ou até de Itália vemos que as pessoas são capazes de falar racionalmente, com bons modos e educação, sem que lhes falte energia ou têmpera. Mas nunca com esta crispação portuguesa, que se vem mantendo ao longo dos últimos 20 ou 30 anos. No fundo, o facto de os portugueses serem os mais pobres dos mais ricos cria uma terrível frustração… Fazendo parte dos ricos – parece paradoxal mas é verdade, há 150 países mais pobres que nós -, somos o último deles, e isso aumenta- -nos a frustração. A distância entre o que temos e o que gostaríamos de ter é muito maior que noutros casos.

No início dos anos 70 a nossa situação era boa…

Continuo a pensar isso. Mas comparando com países que tiveram recentemente de fazer profundíssimas reformas, como a República Checa, a Polónia, a Hungria, a Eslovénia, dou-me conta de que estão a ir mais depressa e melhor que nós. Estão mais consolidados e, tendo menos anos de democracia, parece que têm mais. Têm melhor cultura, melhor formação e usam muito melhor que nós os meios que têm.

Qual a falta mais gritante?

Parece-me óbvio que há uma falta de empresários, de capitalistas. Será um problema ancestral? Vem da nossa maneira passada de viver e de gastar? Dos desperdícios? Do facto de os ricos portugueses terem vivido à sombra do Estado durante 200, 300 ou 400 anos? De o Estado ter ocupado tudo desde os Descobrimentos? Não quero ir por aí, mas o resultado é este. Há poucos empresários, poucos capitalistas com capitais, as elites são fracas e têm uma noção medíocre do serviço público. É raríssimo encontrar ricos, poderosos, famílias antigas, com um sentimento forte do contributo que podem dar à sociedade.

Que mais falta?

Falta literacia. Tínhamos há 30 anos a mesma taxa de analfabetismo que a Inglaterra de 1800. Em matéria de alfabetização havia 150 anos de atraso. Porque é que os portugueses não lêem jornais? A falta de hábito de ler os jornais é muito importante, porque o jornal é a fonte de informação que mais está virada para o raciocínio, o pensamento, a participação. Quem vê televisão está geralmente em posição passiva.

Mas hoje a imagem é rainha. O apetite por um jornal nunca igualará o da televisão…

Mas quem tem como informação exclusiva a televisão subordina o raciocínio, o pensamento, o estudo, o lápis que toma as notas, às emoções. É mais fácil ser livre e independente com um papel na frente do que diante de uma imagem que é fabricada com som e se dirige às emoções e aos sentimentos e não à razão – ou pouco à razão. Sou consumidor de televisão e da net, mas o que quero dizer é que, ao contrário de todos os países europeus, quando os portugueses começaram a aceder à escola e a aprender a ler, nos anos 50 e 60, já havia televisão. Não se fez o caminho que todos os outros países da Europa fizeram, que foi dois séculos a lerem jornais e só depois com uma passagem gradual para a rádio e para a televisão.

Portugal deprime-o?

Não. Entristece-me umas vezes, irrita- -me outras. O que se passa hoje com a justiça em Portugal entristece-me muito, mas também me irrita.

Quando se debruça especificamente sobre o mapa político e social o que o aflige mais é a justiça?

É. Há muito que falo disso e todos os anos com mais razão que no anterior. Não há alternativa para a justiça, como na saúde, em que se pode escolher o privado, ou na educação, onde se vai para outra escola. Na justiça não há alternativa e ainda bem, não deve haver. Mas a nossa justiça está hoje refém, capturada…

Por quem?

Pelos grandes grupos profissionais: o dos magistrados, dos procuradores e dos advogados, que são quem ordena e quem comanda a justiça, os operativos, os agentes. Não sei como lhes chame, mas qualquer nome é bom. Agora até já há sindicatos, que são uma espécie de infantaria avançada de cada um destes grupos. Há evidentemente centenas de juízes fantásticos. Sei que há, e é possível hoje fazer a diferença entre os 100 ou 200 tribunais que funcionam muitíssimo bem e os outros. Só que a sociedade portuguesa contemporânea está essencialmente nas grandes áreas metropolitanas, o resto é paisagem. Não é bem, mas conta muito menos. E o que se passa é que a sua vida privada, familiar, as sucessões, as heranças, os despejos, os contratos de trabalho, os requerimentos… tudo está hoje em causa porque não há justiça, não há recurso para nada nem para ninguém. Se quiser resolver um problema, recorre a quem? À justiça. Há 20 anos os magistrados vinham em primeiro lugar, era o grupo profissional que mais confiança merecia dos portugueses. Estão hoje em penúltimo lugar; abaixo só os deputados. É o grupo mais destituído da confiança dos portugueses. Os portugueses não confiam nos tribunais nem nos magistrados e isto é terrível, mina a alma, mina os sentimentos, mina o coração.

Como se inverte tal estado de coisas?

O poder legislativo e o poder executivo. Não há outra maneira. Em Portugal há uma confusão profunda entre independência e autogestão. A independência dos juízes é aquela com que, no tribunal, diante das partes, julgam e ditam a sentença, e não pode haver a menor beliscadura a essa independência. No entanto, isso não quer dizer autogestão, que significa organizar as carreiras, os dinheiros, as comarcas, as promoções, fazer nomeações e avaliações. Ora isso está totalmente em autogestão. Enquanto o poder executivo, através do poder legislativo – porque ambos representam o povo -, não tomar a iniciativa, a justiça piorará. Há meses que assistimos a ela estar cada vez pior, cada vez pior…

Tem a tentação de fazer comparações negativas entre a classe política de hoje e a gente do seu tempo, quando foi ministro, deputado, dirigente partidário, fundador dos Reformadores, o movimento político criado em 79?

Isso é ingrato, as circunstâncias eram tão diferentes… Eram tempos de grande empenho, grandes causas, quase de vida ou de morte. Hoje estamos na “vida normalizada”, em que os políticos fazem carreira e ela pode produzir pessoas interessantes, ou não. Não é uma vocação, é uma carreira. Diz-se que muitas pessoas competentes saíram da política mas fizeram-no porque dantes ela era uma vocação que se confundia com uma causa. Hoje há certamente pessoas capazes, o que têm é uma maneira muito diferente de fazer política.

Diferente como?

Porque se fala tanto, há cinco ou seis anos, de um crescendo da propaganda política? Porque a vontade não é que as pessoas participem, mas que se limitem a subscrever, e passivamente. Se se quiser participação, há que respeitar as pessoas, dando-lhes conhecimento, informação e manifestando respeito pelas opiniões contrárias. Participar é isso. Quando não se quer que as pessoas participem faz-se propaganda: exigindo obediência ou impassibilidade.

Nunca houve como hoje um governo tão praticante da propaganda?

Há 15 anos que vem aumentando, aumentando… O último governo foi o que teve mais vontade e mais meios – que hoje são fantásticos: empresas, agências, inúmeras pessoas a trabalhar com esse objectivo…

Daí à tal “asfixia” vai – ou não vai – um passo?

O problema é a dependência, não a asfixia…

Prefere chamar-lhe “dependência”?

Prefiro, acho que é mais grave. Em Portugal quase toda a gente depende do Estado, do governo, das instituições públicas oficiais, dos superiores, dos empregadores. Não há verdadeiros focos de independência. Depende-se de muita coisa: do alvará, de ter autorização, de ser aceite, da boa palavrinha do bom secretário de Estado que diz ao bom banqueiro que arranje uns bons dinheirinhos para fazer o investimento. A dependência é enorme. Não é asfixia, uma vez mais, é dependência. As pessoas têm receio pelo seu emprego, pelo seu trabalho, pelo trabalho da família. Conheço algumas que até têm receio de falar…

Já fomos mais independentes?

Há 20 anos havia mais independência em Portugal, nas associações, nas empresas… Durante o marcelismo, por exemplo, não havia mais independência mas as pessoas estavam mais dispostas a correr riscos e nessa altura eles eram bem mais pesados: metia deportação, cadeia, polícia. Hoje há muito menos disponibilidade para o risco porque a dependência é muito, muito forte.

O país está muito doente?

Está dependente, doente não. Há um fenómeno de esgotamento, de cansaço. Entre 1960 e 1995 houve uma verdadeira cavalgada: fomos o país que mais cresceu e se desenvolveu na Europa, com uma mudança demográfica completa, outra nos costumes, algo de absolutamente fantástico! De repente chegámos a 90 ou 95 e percebemos que não tínhamos inovado nem criado muito… Fizemos auto-estradas – qualquer país com um cheque na mão as faz -, mas não fizemos novas empresas, novos projectos, novos produtos. E perdemos muito do que tínhamos: demos cabo da floresta, demos cabo da agricultura, demos cabo do mar. Três coisas imperdoáveis, três erros históricos. E não sei se ainda é possível voltar a prestar atenção à floresta, à agricultura, ao mar…

No Portugal de hoje que há que valha

a pena?

Há coisas que se conseguiram: nas telecomunicações, na organização da banca, um bocadinho na universidade, outro bocadinho na ciência, numa ou outra indústria, na distribuição dos produtos de consumo diário (que está muito bem organizada). Mas são as excepções. No resto, importamos 4/5 do que comemos. Hoje, no produto nacional, 3% ou 4% são agricultura e alimentação, 20% ou 25% são indústria. Ou seja, produtos novos, feitos em Portugal, são 30%, menos de um terço. Que vamos exportar daqui a dez anos? E daqui a 20? Serviços? Quais? Financeiros, bancários, serviços de informações, serviços de quê? Estamos a quilómetros e quilómetros de distância da capacidade de exportação de serviços da Espanha, de Inglaterra, da França, dos Estados Unidos… Novas coisas, novas indústrias, novos projectos, novos planos, novas ideias, fizemos muito pouco. Chegados a 95, 96 ou 97, começaram a aparecer os países de Leste, apareceu a China, apareceram os grandes concorrentes. No fim da década de 90 já a Irlanda estava à nossa frente com inúmeras reformas feitas – embora hoje se encontre em dificuldades -, a Espanha também, e até a Grécia já nos estava a ultrapassar…

Que conclusão se impõe tirar? E isto para não lhe perguntar que caminho pisar…

Se não houvesse a Europa e se ainda houvesse Forças Armadas, já teríamos tido golpes de Estado. Estamos à beira de iniciar um percurso para a irrelevância, talvez o desaparecimento, a pobreza certamente. Duas coisas são necessárias para evitar isso. Por um lado, a consciência clara das dificuldades, a noção do endividamento e a certeza de que este caminho está errado. Por outro, a opinião pública consciente. Os poderes só receiam uma coisa: a opinião dos homens livres.

Poderemos estar à beira de uma crise institucional?

Com a justiça que temos, sim! Com a cultura dominante nos partidos, sim!

Em face de tudo o que me disse e daquilo que sabemos – do endividamento aos fumos de corrupção -, convinha que o país ouvisse mais o Presidente da República?

Penso que sim. Desde o conflito sobre o Estatuto dos Açores que está esgotada a cooperação estratégica, e com isso a boa saúde das relações entre os dois órgãos de soberania, Presidência e governo. Não creio que ainda se possa esperar mais alguma coisa. A não ser cordialidade institucional. Por isso defendo o envio de mensagens do Presidente à Assembleia da República. Os argumentos serão mais consistentes e terão o povo como testemunha. A opinião pública pode ser a grande parteira da democracia.

«I Online»

Petit saiu do bairro, saiu da escola, saiu do nada para jogar com os melhores. Sem dentes, se for preciso Bicampeão português (Boavista-2001 e Benfica-2005), o Pitbull está hoje no Colónia, da 1.ª Divisão alemã

Nas últimas eleições do Benfica, Bruno Carvalho anunciou Petit como mandatário da sua candidatura. Foi uma bomba. Petit na política? Parecia mentira, agora percebe-se que era impossível. Afinal o homem nem sabia o que queria dizer mandatário. Hoje, quando o encontramos em Colónia, di-lo da mesma maneira que chegou a campeão no Boavista ou no Benfica, ou a internacional português: a assumir os erros, as sortes e os azares sofridos pelo caminho.

Já lhe chamam Pitbull aqui também?
Não, aqui por acaso alguns chamam-me Armando. Afinal é o meu nome.
Cristopher Daum, o seu primeiro treinador, dizia que você vinha elevar o nível de toda equipa.
É essa a ideia. O ano passado, quando cheguei, o Colónia tinha acabado de subir à 1.a Divisão. A maior parte dos jogadores tem pouca experiência mas queremos estabilizar o clube a meio da tabela para dentro de alguns anos pensarmos em voos mais altos. Estava habituado a ganhar sempre, agora sou útil de outra forma.
Maniche, seu colega, disse-nos que aqui há menos mordomias. É o regresso ao seu tempo de miúdo?
É um pouco assim, mas principalmente com os mais novos. Lembro-me que quando era miúdo também tratava as minhas botas, já rotas na frente. Metia-lhes graxa para disfarçar.
Lembra-se do primeiro par de botas?
Tinha sete anos e estava no Bom Pastor, o clube onde comecei [no Porto]. Tive de aguentar com elas até ao fim da época, acabei a jogar com um dedo de fora… os campos eram pelados e cheios de lama.
O que lhe ficou marcado da infância?
Comecei a jogar com o Mário Silva lá no meu bairro. Ganhámos um jogo ao Boavista, 2-0, e foi por isso que depois nos mudámos para lá. Nesse jogo eu era defesa central, o Boavista e o FC Porto interessaram-se mas acabámos por escolher o Boavista. Pagaram quinze pares de chuteiras e quinze bolas.
Pelos dois?
Sim, eu e o Mário, quinze pares de chuteiras e quinze bolas.
Mas não chegou a treinar no FC Porto?
Fomos lá mas éramos miúdos do bairro e não sentimos apoio… os outros estavam lá todos com os pais e nós ficámos um bocado envergonhados. Voltámos para o Bom Pastor, ganhámos o tal jogo ao Boavista e fomos para o Bessa.
Já tinha ordenado?
Recebia o valor do passe, para os transportes. Dava para andar em todo o lado, para ir para a escola, para treinar, para ir para a praia ou ao centro comercial.
Falou em ser defesa central, mas chegou a ser guarda-redes.
Na primeira vez fui para o Boavista como guarda-redes. Era grande, pelo menos para as balizas de hóquei em patins! No torneio dos dragõezinhos, no Porto, era guarda-redes de manhã, no escalão de escolinhas, mas à tarde ia jogar como central nos infantis. Entre um jogo e outro ia ao restaurante dos meus pais comer qualquer coisa. Foi como guarda-redes que fui treinar ao Boavista. O meu pai não tinha possibilidade de me levar, dava-me dinheiro para ir de táxi, 200 escudos para lá e 200 escudos para cá, mas um dia a conta já ia nos 250 escudos e depois não tinha dinheiro para o regresso. Mandei parar o táxi, saí, tive vergonha de chegar tarde ao treino, não fui e voltei para casa. Aí o meu pai deu–me… Não fui mais. Voltei ao Bom Pastor e entretanto comecei a jogar a central.
O que fazia mais?
Quando estava a caminho dos treze anos fui operado a um joelho porque tinha uma perna mais curta que a outra. Fiquei parado ano e meio. A escola ficou para trás, lembro-me de ser expulso, não dava mais, disseram-me que eu era… inteligente de mais para a escola. Abandonei e fui trabalhar para o restaurante do meu pai. Trabalhava, ia treinar, depois saía do treino e voltava ao trabalho. Até aos dezoito anos foi sempre assim.
O que fazia no restaurante?
Servia à mesa.
E as gorjetas?
Eram para mim, para, de vez em quando, ir de táxi, quando não dava para chegar a tempo de autocarro. Eu e o Mário. Andámos sempre juntos até aos dezoito, quando fomos campeões nacionais de juniores. Aí o Mário ficou no plantel e eu fui para Esposende. E para a tropa.
Não conseguiu escapar?
Na inspecção meteram-me o carimbo e fiquei apto, não tive hipótese. Tinha contrato com o Boavista mas estava na 2.a Divisão B. Lembro-me que um coronel lá do clube tentou livrar-me mas não conseguiu. Ainda pensei que seria só a recruta mas estive lá seis meses, fui para Santa Margarida [em Constância, Santarém].
O que aprendeu na tropa?
Fiz amigos, passei muitas noites à porta de armas. Ao princípio ia correr sozinho mas depois desanimei, não fazia nada, jogava de vez em quando com o pessoal e pensava que ia desistir do futebol. Quando saí da tropa fui para o Gondomar, dois meses, mas as coisas não correram bem porque não tinha força, nada, perdi o ritmo. No final da época, os emprestados do Boavista treinavam sempre uma semana no Bessa, mas eu não fui. Fui de férias.
Fugiu para o Algarve.
Foi. Não andava bem da cabeça. O meu treinador da altura, Mário Reis, foi com Hernâni Ascensão ao restaurante do meu pai perguntar por mim. Quando regressei, o Mário Reis puxou-me as orelhas e acabei por ser emprestado ao União de Lamas [2.a Divisão de Honra].

O BOAVISTA
Por que razão teve dúvidas? Depois foi campeão no Boavista!
Foram seis meses na tropa e… dificilmente ficava logo numa equipa boa, apesar de ter sido campeão em todos os escalões de formação. Acabei por ir para a 1.a Divisão (Gil Vicente, acabámos a um ponto da Europa) e regressei para ser campeão no Bessa. Um dia estávamos em estágio no Hotel Ipanema e o Jaime Pacheco chamou-me. Normalmente, quando um treinador chama ou é para jogar ou para ficar de fora. E eu pensei: “Já fui.” Ele disse-me que ia jogar e marcar o Totti [da Roma, em jogo de Liga dos Campeões]. Depois o Pacheco achou que estava a ficar com muita moral e, em Faro, tirou-me ao intervalo. Na semana seguinte deixou-me de fora. Passou outro jogo e lançou-me a titular, dizia que queria ver a reacção, que fez aquilo para eu baixar um bocadinho a crista, mas como viu que eu trabalhava sempre da mesma maneira, deu-me o lugar.
Jaime Pacheco foi o treinador mais importante da sua carreira?
Talvez o Jaime Pacheco e o Álvaro Magalhães. O Álvaro acreditou em mim e estreou-me na 1.a Divisão, no Gil Vicente. O Pacheco lançou-me num clube que um ano antes tinha estado na Liga dos Campeões e ficado em segundo no campeonato. O Boavista era o quarto grande, tinha jogadores de qualidade. Ajudou-me, puxou-me as orelhas, eu revia–me nele e ele em mim.
São mesmo parecidos?
Como jogadores e como pessoas. O treino, para o Pacheco, era como o jogo. Tínhamos de treinar de pitons de alumínio e de caneleiras de carbono. Sempre.
Só caneleiras de carbono?
Alguns metiam umas caneleiras de pano, o Vítor Nóvoa [adjunto de Pacheco] ia lá apalpar e éramos obrigados a meter outras. Foi essa disciplina que levou aquele grupo de Pacheco a ter sucesso ano após ano. Depois íamos uns quinze almoçar, levávamos as mulheres e os filhos, passávamos o ano novo juntos e fazíamos karaokes.
Como é que vocês corriam tanto?
Trabalhávamos muito. Lembro-me de nós e o FC Porto jogarmos a um sábado, termos folga a um domingo e na segunda-feira irmos correr para o parque da cidade. Os jogadores do FC Porto andavam em passo ligeiro, a recuperar, e olhavam para nós a fazer sprints. Muita gente suspeitava que tomássemos alguma coisa mas o Boavista era controlado.
Falou-se muito da cafeína.
Dois anos antes houve médicos suspensos. Depois disso, a nossa força vinha do trabalho. Qual foi o jogo da sua vida?
Talvez quando fui campeão pelo Boavista e depois quando fui campeão pelo Benfica. Na selecção tive muitos… mas os jogos são todos iguais para mim, são todos como se fossem o último.
Uma vez partiu o maxilar [Benfica-Académica, no Estádio da Luz] e a sensação que deu foi que queria continuar dentro do campo.
Sim, pensava que ia continuar. Passei a língua, vi que não tinha os dentes mas julguei que era uma questão de estancar o sangue. Só quando o doutor Bernardo [Vasconcelos] me disse que o maxilar tinha ido para trás é que percebi que estava pendurado. É a minha maneira de ser, dou tudo…
Camacho chegou a irritar-se depois de uma lesão sua. Queria que você soubesse dosear o esforço.
É verdade, mas eu só cheguei onde cheguei por disputar cada lance como se fosse o último. Por isso é que dizem que dou muita porrada.
E não dá?
Naquela posição [trinco] tem de se ser um jogador duro. Se eu não fosse assim, se calhar estava a jogar na terceira divisão ou então não era profissional. Cada macaco no seu galho, cada um faz o seu trabalho e eu sempre fiz o meu, fosse no Boavista fosse no Benfica.
Alguma vez se arrependeu de alguma jogada dentro do campo?
Não, porque eu nunca lesionei ninguém! Há um lance… que foi sem maldade mas podia ter magoado. Foi uma entrada ao Targino, do Vitória de Guimarães, calquei-o por trás para cortar um contra-ataque, era cartão amarelo de certeza. Queria dar-lhe um toque, depois viu-se o pé a torcer. Mas nunca magoei nenhum jogador. Pelo contrário, já me aleijaram várias vezes. E não sou de me queixar!
Deco partiu-lhe o pé, quando ainda estava no Boavista.
Pois foi. Ele levou o pé por cima e eu por baixo, era uma bola dividida… mesmo assim continuei a jogar porque o Pacheco não me deixava sair. Andava com o pé partido no campo a fazer número.
Alguma vez teve medo no campo?
Se tivesse medo não saía de casa. Temos receio quando vemos um jogador de qualidade, um número dez que vai criar dificuldades. Aí tento saber tudo sobre ele para quando chegar o jogo estar preparado. Tinha problemas com o João [Vieira] Pinto, ele fugia muito do meio e se eu fosse atrás dele abria um buraco no centro. Em jogos europeus, o mais difícil foi contra o Barcelona, em casa, na época do Koeman. Foi um massacre, eles podiam ter marcado seis ou sete golos. Não conseguíamos marcar ninguém, entravam por todo o lado, não consegui tocar na bola.

O BENFICA
Nessa época, 2005/06 fez a melhor campanha europeia do Benfica mas falharam no campeonato.
Tínhamos só doze ou treze jogadores, não havia grande concorrência interna, tanto com o Koeman como depois com o Fernando Santos.
Com Trapattoni se calhar tinham menos e foram campeões.
Tínhamos onze! Não havia banco, só que sete ou oito eram portugueses. Depois começaram a destruir a equipa. Eu nunca consegui ficar com quatro, cinco ou seis dos jogadores mais importantes, mudavam sempre de época para época. Assim é difícil. No ano do título éramos poucos mas alguns de qualidade, como o Miguel, o Luisão, o Fyssas, eu e o Manuel Fernandes, o Simão, o Nuno Gomes e o Geovanni. Depois tínhamos dois salvadores, o Karadas, que entrava para bater neles, no ataque ou na defesa, e o Mantorras, que fez golos importantes.
Quando é que ficou mais frustrado?
A época que me ficou atravessada foi 2006/07, quando tínhamos bons jogadores (Karagounis, Katsouranis, Miccoli…) e Fernando Santos. Fomos longe na Taça UEFA e estivemos na discussão do título até duas jornadas do fim. Foi o mesmo, desfizeram-se de dois ou três da equipa base e mais seis ou sete que lá andavam e não jogavam. Este ano mantiveram jogadores e acrescentaram qualidade, os resultados estão à vista. No meu tempo iam buscar jogadores só para dizer que tinham feito contratações.
Lembra-se como chegou ao Benfica?
Um dia chamaram-me ao gabinete do João Loureiro. Luís Filipe Vieira tinha lá estado nessa noite, tinham chegado a acordo, só faltava falar comigo porque eu ainda não sabia de nada. “Vais para o Benfica”, disse-me. “Está tudo acertado.” Fiquei lá umas horas, faltavam uns papéis, depois segui para Lisboa.
Não teve oportunidade de ir para outra equipa?
Houve a possibilidade do Betis de Sevilha, onde ia ganhar mais do dobro.
Foi enganado para o Benfica?
Fui… não fui enganado, a questão é que o meu empresário na altura era o José Veiga, que tinha boas relações com os presidentes do Benfica e do Boavista… Tive contactos com outras equipas – era um jogador apetecível porque tinha ido ao Mundial-2002, tinha 24 anos e era baratinho –, mas o que surgiu foi sempre por outros empresários e as coisas não se concretizaram. Só passado um ano alguns directores me disseram que o João Loureiro recusava as propostas que iam chegando. Tinha de ser o Benfica.
Mas foi ganhar bem?
Não fui ganhar muito mais do que no Boavista. Tinha acabado de nascer o meu segundo filho, houve a mudança, levei a família, esperava ir ganhar isto e aquilo mas depois não se concretizou. Tinha de pagar casa alugada, foi quase como se fosse ganhar o mesmo. Só aos 30 anos consegui renovar contrato, aos 31 acabei por ir embora.
Magoado?
Apareciam jogadores que ganhavam muito mais do que eu e nunca tinham jogado em lado nenhum. Eu, que era internacional pelo meu país, titular e sub-capitão do Benfica, jogava sempre e não via o meu salário ser aumentado. Fiquei triste, até porque também tinha tido a oportunidade de sair para outros clubes. Surgiu o Colónia e fiz pressing para sair, para salvaguardar a minha vida.
Luís Filipe Vieira chegou a dizer que o Petit acabaria a carreira no Benfica.
Sim, disse. Tenho uma excelente relação com ele. Eu queria acabar no Benfica mas também queria ser reconhecido e retribuído por todos os sacrifícios que fiz ao longo dos anos. Acabei por sair e a verdade é que isto aqui é uma maravilha, apesar do Inverno, apesar de às vezes treinarmos com neve até aos joelhos.
A SELECÇÃO
Portugal lá vai ao Mundial.
O jogo que marcou tudo foi aquela derrota 3-2 em Alvalade [Dinamarca], mesmo a acabar. Depois houve o percalço com a Albânia…
A identificação que os jogadores tinham com Scolari existe hoje com Queiroz?
Nunca trabalhei com Queiroz. Sei é que no meu tempo apanhei sempre grandes grupos, muito unidos. Passámos muito tempo a jogar às cartas.
Também era um rapaz envergonhado quando chegou à selecção?
Claro que sim. Antes só via aquela gente pela televisão! Quando lá cheguei alguns tinham sido eleitos os melhores centrais da Europa (Fernando Couto e Jorge Costa), o Figo lutava para ser o melhor do mundo. Nunca tinha imaginado estar perto, quanto mais jogar ao lado deles! Às vezes dizia alguma coisa e ficava à espera a ver o que respondiam, para ver se continuava a falar.
Tratava os craques por tu ou por você?
Até dá vergonha. Não sabia se devia dizer “Figo”, ou “Luís”. Não me conheciam de lado nenhum, nunca tive percurso de selecções, só tinha ido à selecção B fazer dois jogos. Depois saltei logo para a selecção A e era olhado de lado porque era jogador do Boavista.
Quem o ajudou mais?
O Sérgio Conceição ajudou muito, porque ele também é do Norte, também é um brincalhão e um palhaço. E o Capucho… eu às vezes até tinha medo de entrar na sala dos jogadores, ficava no meu quarto, mas depois aparecia o Sérgio Conceição e convidava-me para ir tomar café com eles. Havia muito respeito e às vezes os mais novos tinham de ouvir uma palavra e fechavam a matraca. Se calhar tratei alguém por senhor algumas vezes. Ia dizer “Luís”? Ou “Figo”? Nos treinos eu nem pedia a bola e quando a roubava entregava-a logo a eles, porque tinha vergonha de dizer “ó Figo”, “ó Rui”, “ó Pauleta!”. Ficava no meu cantinho.
Foi António Oliveira que lhe deu a alcunha de Pitbull?
Foi, na Madeira, quando cheguei ao meu primeiro jogo. O Figo perguntou-lhe como eu era e ele respondeu: “Deixa começar a correr, quando o vires a trabalhar e a correr vais ver que parece um pitbull.” E começaram a tratar-me assim.
Alguma vez pensou que ia falar de igual para igual com essa gente toda?
Não, só pensava um dia chegar ao plantel sénior do Boavista. Depois fui querendo mais. Tive uma família que me apoiou, não foi fácil, tive de ouvir críticas porque a minha imagem sempre foi do caceteiro.
Mas a ideia que dava é que sempre esteve a borrifar-se para a crítica.
Eu pouco leio jornais, não me deixo afectar. Não me matam e não vou deixar de comer ou de beber só porque escrevem bem ou mal. Nem sequer via repetições dos jogos. Se fosse a olhar para a crítica se calhar tinha deixado o futebol.
Acha que vai jogar até quando?
Até conseguir ir treinar.
Mesmo com este frio?
Estou a cinco minutos do campo de treino. As pessoas ajudam, os colegas são miúdos que querem aprender e vou tentando ensinar alguma coisa. Estou bem, não tenho lesões musculares, nada, este ano tudo corre bem, treino todos os dias.
Isso quer dizer que anda a cuidar-se, a comer bem e a dormir bem.
Não é só isso, é também a boca. No último ano no Benfica fui criticado por causa das lesões. Aliás, disseram que não merecia ir ao Europeu. Essas lesões tinham a ver com os meus problemas no maxilar. Aqui conseguiram tratar-me É por isso que ainda vou ser operado em Dezembro, para reconstruir um osso.
Ainda volta ao Boavista?
Por enquanto fico por aqui, mas quando voltar vou para o Boavista ajudar a fazer o que for preciso.
Imagina-se o Jorge Silva, o actual capitão, a jogar quase de borla?
Sou capaz, jogarei por gosto e para ajudar, para acabar onde me formei.

A PESSOA
Uma vez foi envolvido nuns apanhados da TVI, com o Fernando Rocha, e não se irritou muito.
Eu tinha dois carros, um Porsche e um Renault, a minha burrinha. Pensei que ia a um aniversário do Jorge Silva, fomos almoçar, quando saio vejo o reboque. “Estão a rebocar a minha burrinha!” O polícia, o Fernando Rocha, começou a acusar-me de não pagar as letras e a chamar-me caniche. Liguei à minha mulher para confirmar e nem me lembrava que já tinha pago aquele carro. O que não estava pago era o Porsche. Bloqueei. Mas não gosto de confusões, só lhe pedi mais respeito.
Explique lá como se envolveu nas eleições do Benfica, como mandatário do candidato Bruno Carvalho.
(desmancha-se a rir) Quer que lhe diga? Estava num restaurante e ligou-me um primo que trabalha no Porto Canal. “Olha, o Bruno, o meu patrão, pergunta se queres ser mandatário da campanha dele.” Eu só tenho o primeiro ano, não sabia o que queria dizer ser mandatário e disse-lhe: “Mete lá aí o meu nome.”
Teve um impacto importante.
Pois teve e eu é que fiquei mal, porque me dou bem com o presidente [Luís Filipe Vieira]. Mandatário! Depois percebi que fiz asneira. Nunca mais falei com Luís Filipe Vieira e ele deve ter ficado zangado. Pensava que era uma coisa qualquer de marketing. Que asneira, as pessoas a ligarem, o meu empresário a perguntar porque me meti naquilo… mas é com estes erros que vamos aprendendo. Vou morrer e ainda vou estar a errar. E a aprender.
Esteve envolvido em muitos episódios destes ao longo da vida?
Quando fui campeão, no Boavista, lembro-me de em Vila do Conde ter dito que os jogadores do Rio Ave receberam dinheiro para nos ganhar. Depois é que vi que tinha feito asneira. No dia seguinte apanhei um avião para Lisboa e fiz um comunicado a pedir desculpa. Se tivesse ido longe na escola se calhar as palavras tinham saído de outra forma, mas com os nervos diz-se tudo.
A sua escola foi outra?
Foi, foi a vida, foi fazer-me à vida.

«I Online»

Eva Mendes: "Não sou nada sexy"

Posted: 29 de Novembro de 2009 in [Informação], [Noticias]


A actriz Eva Mendes deu uma entrevista à revista alemã ?TV Movie?, na qual afirma não se considerar uma mulher sexy: ?Não sou nada sexy?. Apesar do êxito que tem entre o público masculino, a actriz de origem cubana responde assim quando lhe pedem a opinião sobre o seu prório físico.

Durante a entrevista, Eva Mendes afirma ainda que é preciso lutar contra estereótipos para se conseguir um bom papel e que gostaria de interpretar personagens a que não está habituada. ?Gostava de fazer de freira?, admite.

Eva Mendes critica também as poucas oportunidades que as mulheres têm no cinema: ?Só 1% dos bons papéis é que vão para as mulheres. O resto vai tudo para os homens?.

«I Online»

Face Oculta: Suspeitos foram avisados das escutas

Por Felícia Cabrita
Os arguidos no ‘processo Face Oculta’ deixaram de usar os seus telemóveis habituais a partir de 25 de Junho, no auge da polémica causada pelo negócio PT/ TVI, existindo a suspeita de uma fuga de informação nessa altura, quando começaram a chegar a Lisboa as primeiras certidões enviadas pelo DIAP de Aveiro.

A Polícia Judiciária conseguiu, porém, descobrir os novos contactos dos arguidos e restabelecer as escutas, que se prolongariam durante pelo menos mais dois meses.

O empresário Manuel Godinho, figura-chave no caso, alguns dos seus mais próximos colaboradores e Armando Vara estão entre esses arguidos. A mudança de telefones pode confirmar-se pelas conversas que envolvem o primeiro-ministro, que constam das certidões enviadas ao procurador-geral da República (PGR), Pinto Monteiro.

Segundo o SOL apurou, nos últimos dias de Junho – quando, perante a polémica levantada pela possível compra da TVI pela PT, José Sócrates anunciou que decidira vetar o negócio –, os contactos passaram a realizar-se através de telemóveis ‘descartáveis’ (ou seja, sem assinatura e que só se podem localizar se os carregamentos forem efectuados com cartões de crédito).

Alguns arguidos passaram a usar não só novos cartões como também novos aparelhos. Mas Manuel Godinho e outros, com menos ‘ciência’ policial, apenas mudaram os respectivos cartões. Só que a PJ montara escutas também ao número de série identificador do aparelho – e assim, à medida que o empresário foi fazendo telefonemas, a Polícia foi identificando os novos números dos outros arguidos e de José Sócrates, conseguindo reconstituir toda a rede de contactos.

«Sol»

Homem mata a tiro a mulher e militar da GNR

Posted: 29 de Novembro de 2009 in [Noticias]

Um homem de 41 anos matou hoje a tiro a mulher, que se encontrava dentro de uma ambulância, e um militar da GNR em Montemor-o-Velho, distrito de Coimbra, disse à agência Lusa fonte da corporação.

O comandante do Destacamento da GNR de Montemor-o-Velho adiantou à agência Lusa que um segundo militar foi baleado na anca, encontrando-se hospitalizado mas livre de perigo.

Segundo o alferes Nogueira, a mulher «com sinais de agressão» apresentou queixa contra o marido por violência doméstica esta manhã no posto da GNR de Montemor-o-Velho, tendo os militares de serviço chamado uma ambulância para que fosse observada no Instituto de Medicina Legal.

«A mulher ainda arrancou na ambulância mas o condutor foi obrigado a regressar ao posto da GNR por ameaça do marido que seguia no seu encalço», explicou o oficial.

Foi já com a ambulância parada junto ao posto da GNR que o agressor terá disparado uma caçadeira contra a mulher, atingindo-a mortalmente.

Detido pelos militares do posto, o homicida foi revistado no interior das instalações onde, de acordo com o alferes Nogueira, terá sacado de um revólver e atingido os dois militares.

Lusa / SOL

O ministro dos Negócios Estrangeiros português Luís Amado afirmou hoje no Estoril que o texto da declaração de Lisboa foi aprovado no encontro dos ministros presentes na cimeira ibero-americana.

O responsável pela diplomacia portuguesa falava à saída do encontro durante o qual «houve um vivo debate» e que se prolongou quase até à hora da sessão inaugural da cimeira junto à Torre de Belém.

«A declaração de Lisboa foi aprovada, apesar de algumas dificuldades num ou noutro ponto», adiantou.

«Houve um grande consenso para que quer o programa de acção quer a declaração de Lisboa fossem aprovados», sublinhou.

Luís Amado disse que foram aprovados 12 comunicados especiais, um dos quais faz referência expressa à candidatura portuguesa ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.

«Houve um debate vivo e muito importante neste momento particularmente crítico para as Honduras sobre a situação política no país e sobre o desenvolvimento do processo político», acrescentou.

«Permitiu-nos também, manifestando a nossa solidariedade relativamente à situação nas Honduras, perceber as divergências que existem neste conselho, não sobretudo ao repúdio ao golpe militar nem ao reconhecimento do Presidente Zelaya como presidente legítimo, mas em relação ao resultado das eleições e às consequências e avaliação deste processo eleitoral», explicou.

«Há um aprofundado consenso, mas há uma expectativa ainda relativamente à avaliação do processo eleitoral. Vamos esperar que o processo eleitoral decorra para extrairmos uma conclusão», disse o governante português.

O ministro dos Negócios Estrangeiros disse que o conselho estará amanhã (segunda-feira) em condições de continuar o debate e de apreciar os documentos que aqui foram endossados para a respectiva Cimeira.

«Veremos, no final de todo o debate que se vai seguir, quais são as políticas de fundo relativamente a estas questões», concluiu.

Lusa / SOL